ESTÁDIO JOSÉ IBRAHIM NICOLAU



Todo clube de futebol tem sua trajetória pautada na história de um campo, palco máximo da existência do futebol. O Muniz Freire FC não foge à regra. Quem nos conta o início da construção do campo é o Sr João Florêncio de Oliveira, em depoimento aos 06.12.91, junto ao alambrado do estádio, numa visita, depois de muitos anos e isto há dois dias antes da decisão do campeonato estadual com a Desportiva.


Segundo ele, por volta de 1920, o Sr. Alfredo Madeira, seu filho Miguel Madeira, seu genro Silveira e o próprio João Florêncio começaram a fazer o campo. Como não havia máquinas para desaterro, tudo era feito à mão e a terra era arrastada sobre um enorme couro curtido, puxado por juntas de bois. O terreno àquela época era de propriedade do Sr. Miguel Depes, tendo sido alugado em 1925, ao Sport Club Ypiranga.


Fundado em 01.05.1930, o Muniz Freire FC alugou o campo das "Paineiras", como era chamado, e ainda de propriedade do Sr. Miguel Depes, por 25 mil réis mensais (Livro de Atas-25.01.31). Os trabalhos foram sendo feitos e a inauguração foi em 01.05.32. O terreno sendo vendido, o contrato de aluguel foi desfeito e o Muniz Freire FC. voltou a jogar, até o início da década de 50, no campo da "Serraria", propriedade do Sr. Pedro Deps (ficava próximo ao local onde hoje é a Rodoviária). Como era campo particular e também muito alagadiço por longo período nas épocas de chuvas, resolveu-se voltar as cargas para o campo das "Paineiras". Os primeiros vestiários foram inaugurados em 25.02.58.


Conforme depoimento do Sr. José Favoreto, um grupo de dirigentes e torcedores, com muito esforço, adquiriu o campo do Sr. Aladim José de Souza, que facilitou ao máximo, dando uma grande contribuição ao Clube.

A escritura é datada de 28.12.61, e o valor da aquisição pelos 10.800m2, foi Cr$ 20.000,00. Seu registro se deu em 02.01.62.


O Estádio inicialmente passou pelo seguintes nomes: Paineiras, Motoristas, Muniz Freire e Lacerda de Aguiar. Finalmente foi reinaugurado em 01.05.80, nos festejos do cinqüentenário do Clube, com o nome de "Estádio José Ibrahim Nicolau", em homenagem ao seu pai William Nicolau (OLIME), grande atleta do passado e a seus familiares pelos serviços prestados ao Clube.


Em 1988, graças aos esforços do presidente Ricardo Feletti, com o apoio do prefeito Renato Chrispim Aguilar, o Muniz Freire FC. iniciou uma grande arrancada em seu estádio, visando o ingresso na Segunda Divisão do Futebol Profissional Capixaba. Formou-se uma comissão de obras constituída pelos Srs. Carlos Brahim Bazzarella (presidente); Marcelo Nassar Gonçalves; João José Favoreto da Silva; Leolindo Areias e Ricardo Feletti (Portaria 02/88 - 12.04.88). Neste período foram construídos 02 vestiários para atletas, outro para árbitros, bar com sanitários anexos, bilheteria, cabina em 03 pavimentos e arquibancadas (1.691 assentos/lugares).


Em nossa administração (91/92), foi ampliada a capacidade das arquibancadas para 2.038 assentos/lugares. Foram construídos sala do Departamento Médico, novo vestiário para árbitros, mini-vestiário para Juniores, lavanderia, rouparia, mictórios (vestiário local, térreo das cabinas, sanitário masculino), mini bar, reforma e ampliação do bar, rampa de acesso ao campo (veículos), 42 metros de drenagem em vários locais do estádio, piso em concreto desde a bilheteria até o bar.


No segundo período de nossa administração (93/94), foram realizados serviços de ampliação do muro dos fundos; instalação de bomba hidráulica; demolida a rouparia do vestiário local e instalada em área mais ampla, onde existia o Departamento Médico, que por sua vez ganhou instalações melhores e maiores; reformas nos pisos dos vestiários com vulcapiso; construção da sala de reuniões, secretaria e sala de troféus. (Nota: após a municipalização do estádio, muitas obras perderam a função, tornando-se até local de moradia atualmente).


Chama-nos atenção um trecho da Escritura Pública de Compra e Venda:"...o imóvel ora adquirido se destina exclusivamente a praça de esportes, não podendo ser alienado em hipótese alguma pela atual e pelas futuras diretorias, não podendo ainda ser objeto de negociações de quaisquer espécie, inclusive como garantia de dívidas que possa o Clube contrair no futuro...".